O Encontro no CRM-MT
Na semana passada, representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande estiveram presentes em um importante evento no auditório do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), localizado em Cuiabá. Este encontro teve como objetivo principal abordar a Resolução nº 2.444/2025 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que estabelece normas e diretrizes focadas na segurança dos médicos ao exercerem suas funções nas unidades de saúde.
O evento contou com a presença de deputados, representantes do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) e gestores da saúde, além de profissionais de várias instituições, tanto públicas quanto privadas. A participação da atenção terciária de Várzea Grande foi significativa, permitindo um diálogo construtivo sobre a resolução e suas implicações na proteção dos profissionais de saúde no ambiente de trabalho.
Importância da Resolução CFM nº 2.444/2025
A Resolução CFM nº 2.444/2025 é um marco na defesa do exercício seguro da medicina no Brasil. Esta norma foi concebida em resposta à crescente incidência de episódios de violência no ambiente de trabalho em serviços de saúde, incluindo não apenas agressões físicas, mas também verbais e morais. A resolução define diretrizes que as instituições de saúde devem seguir para garantir medidas mínimas de segurança e proteção aos seus colaboradores.
A norma reafirma que a segurança dos profissionais não é apenas uma questão administrativa da instituição, mas sim uma responsabilidade crucial para assegurar a integridade dos médicos, a autonomia da prática médica e a qualidade do atendimento à população. Por meio da promoção de protocolos de segurança e suporte institucional frente a agressões, o CFM busca criar um ambiente de trabalho mais seguro e respeitável.
Desafios da Violência na Saúde
A violência no ambiente de trabalho já é uma realidade enfrentada por muitos profissionais que atuam na rede pública de saúde. Um caso emblemático foi o de uma médica identificada como B. C. P., que sofreu uma gravíssima agressão física enquanto prestava atendimento, resultando em uma fratura na mandíbula que exigiu intervenção cirúrgica. Ao compartilhar sua experiência, ela enfatizou a urgência da implementação de medidas de proteção institucionais.
“Situações como essa marcam profundamente o profissional. Nós estamos ali para cuidar das pessoas, mas também precisamos de condições de segurança para exercer nosso trabalho. A adoção de protocolos, controle de acesso e apoio institucional são fundamentais para que possamos atender a população com tranquilidade e dignidade”, relatou a médica.
Relato de uma Profissional Atingida
O relato da médica B. C. P. ilustra a gravidade dos desafios que os profissionais de saúde enfrentam. A notícia sobre sua agressão sinaliza a necessidade urgente de aprimorar as condições de segurança nas unidades de saúde. As implicações emocionais e psicológicas para essa médica sublinham como tais eventos podem afetar não apenas a saúde física, mas também o bem-estar e a moral dos profissionais que trabalham na linha de frente da medicina.
Estratégias adotadas em Várzea Grande
No âmbito de Várzea Grande, a administração tem implantado diversas estratégias visando à diminuição das agressões verbais e físicas que ocorrem contra os trabalhadores da saúde. O Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande (HPSMVG) já implementa medidas de segurança há algum tempo, dado que é um hospital de referência, onde o fluxo de atendimentos de urgência e emergência é elevado, envolvendo uma grande circulação de pacientes e acompanhantes.
Medidas de Segurança no Hospital Municipal
Dentre as iniciativas adotadas pelo HPSMVG, destacam-se:
- Contratação de segurança patrimonial: Com a presença de guardas armados em pontos estratégicos.
- Controle de acompanhantes: Limitação do número de acompanhantes em áreas assistenciais.
- Restrição ao acesso: Organização rigorosa dos acessos às dependências do hospital.
- Monitoramento eletrônico: Câmeras instaladas em setores considerados críticos, especialmente onde há maior tensão na assistência.
Protocólos de Ação Contra Agressões
A superintendente assistencial do HPSMVG, Marciana Sobrinho, enfatizou que a proteção dos profissionais é uma prioridade constante. A dinâmica de um hospital que atende uma alta demanda implica na necessidade de práticas de organização e protocolos que garantam a integridade tanto dos médicos quanto dos pacientes.
“Trabalhamos em um hospital de porta aberta, que atende uma grande demanda da região. Isso exige organização, protocolos e medidas de segurança que assegurem a integridade dos profissionais e dos pacientes. As ações que estamos implementando são essenciais para garantir um ambiente saudável para toda a equipe”, afirmou Marciana.
A profissional também frisou que as medidas não se destinam somente aos médicos, mas abrangem todos os colaboradores da unidade.
“As ações de segurança visam a proteção total da equipe multiprofissional, englobando enfermeiros, técnicos de enfermagem, administrativos e todos os colaboradores envolvidos no cuidado e funcionamento do hospital”, complementou.
Impacto da Criminalidade na Saúde
Antes mesmo da implementação da resolução do CFM, o HPSMVG já contava com um fluxograma interno para o recebimento e a gestão de casos em que houvesse a necessidade de acolhimento de profissionais que sofreram agressões ou constrangimentos. A capacidade de respostas rápidas é essencial para garantir a segurança do ambiente de trabalho.
Comentários da Gestão de Saúde Municipal
A secretária municipal de Saúde de Várzea Grande, Deisi Bocalon, ressaltou que além do Pronto-Socorro, as outras unidades de saúde do município têm avançado em investimentos voltados à segurança.
Um dos principais avanços é a implementação de segurança armada nas unidades, visando proteger tanto os profissionais quanto os usuários. Além disso, há a iniciativa de introduzir um sistema moderno de monitoramento com tecnologia de reconhecimento facial, que se integrará à rede pública de saúde, aumentando o controle de acesso e a segurança institucional.
Iniciativas Futuras para Aumentar a Segurança
Deisi Bocalon destacou que garantir um ambiente de trabalho seguro é imprescindível não apenas para os médicos, mas para todos os profissionais envolvidos na assistência. “É fundamental que possamos proporcionar condições que assegurem a dignidade de todos, assim, melhorar a qualidade do atendimento à população é uma consequência natural”, finalizou.